Gente preta apertada
no útero de um vagão
de trem vai
relógio no pulso
chibata nas costas
gente aprisionada
preta
preta a pressa
preto o chão dos trilhos
ensangüentam engrenagens
sangue preto é carvão
passa o trem de hora em hora
dar de comer aos fornos
as vísceras que o tempo deixou
os restos das pessoas presas
abortadas por segundos
por centésimos de milésimos
perderam o caminho do trabalho
erraram o ponto do trem
o ponto da hora atrasou
– Meu novo livro, Verão na Névoa, misto de ensaio e memória, sai no fim de
abril pela Companhia das Letras e já está em pré-venda. O lançamento em São
Paul...

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