nada de nada
nonada
teu ouvido surdo a vísceras espalhadas na estrada
imprecação contra o deserto
e carruagem de fogo desenfreado.
nem um tiro
pelo seu ouvido só passa mel
e chiados de televisão:
chuviscos de vida interferidos
nada de nada é tudo de tudo
que a tua poltrona veda a visão
periférica da periferia
de si e do mundo
mar atroz nunca dantes navegado
por quem só ouve o melífluo
do melífluo canto das sereias
e da poltrona
aquela poltrona que já se amolda ao corpo
nada de nada se eu quero violência
e as palavras são as paredes acolchoadas dos outros
– Meu novo livro, Verão na Névoa, misto de ensaio e memória, sai no fim de
abril pela Companhia das Letras e já está em pré-venda. O lançamento em São
Paul...

Um comentário:
Sedentarismo literal.
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