A vida não muda
cada engravatado de hoje teve um sonho
como os meus
e se a mulher atolada em dívidas
teve a impressão há trinta anos
de que o mundo não lhe faria mal
ela estava errada
o mundo o mercado as obrigações
se encarregaram de soterrar
cada invencionice dessas cabeças ferventes
e se nem eu mesmo entendo um décimo de minhas aspirações
quem são eles para julgá-las
relegando à gaveta das inviáveis
das que não se concretizam fora da vida hippie
se o mendigo é assim por suas escolhas
não certas
o burocrata também
e se não há luz para além de se deixar
levar, o suicídio não é uma opção
e é muito fácil coagir com dinheiro
renuncio
não aos sonhos, mas da vida em que
os sonho
para viver o que já é plano
Um filme – Valor Sentimental, Joachim Trier. Um livro – Te Dou Minha
Palavra, Noemi Jaffe (Companhia das letras, 208 págs.). Uma conversa – Ann
Comaromi so...

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