as portas trancadas
não sei por que você faz isso
consigo mesma e com as árvores
gravar na pele na casca
na casca das nuvens
com pontas das facas
cachorro qualquer
numa tarde esquecida
as portas trancadas
recusam uma vida o copo virou
a sede secou
por que você fez isso
os pombos de concreto
silhuetas abstratas cujos olhos preveêm chuva
a te desabrigar desse espaço aberto
como absortas testemunhas
a dor que carrego
sem começo é por você
sinto frio em mim é
o vento que balança seu cabelo
te embala em um sono em que você sonha com carros velozes
quando os gatos vêm lamber suas feridas
secar uma lágrima que ficou pendurada
– Meu novo livro, Verão na Névoa, misto de ensaio e memória, sai no fim de
abril pela Companhia das Letras e já está em pré-venda. O lançamento em São
Paul...

Nenhum comentário:
Postar um comentário