as portas trancadas
não sei por que você faz isso
consigo mesma e com as árvores
gravar na pele na casca
na casca das nuvens
com pontas das facas
cachorro qualquer
numa tarde esquecida
as portas trancadas
recusam uma vida o copo virou
a sede secou
por que você fez isso
os pombos de concreto
silhuetas abstratas cujos olhos preveêm chuva
a te desabrigar desse espaço aberto
como absortas testemunhas
a dor que carrego
sem começo é por você
sinto frio em mim é
o vento que balança seu cabelo
te embala em um sono em que você sonha com carros velozes
quando os gatos vêm lamber suas feridas
secar uma lágrima que ficou pendurada
O tom áspero do livro dialoga com a biografia da autora, que é travesti e
narra uma vida tumultuada. “Ouvia como minha mãe mentia por causa do
mistério de ...

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