terça-feira, 3 de agosto de 2010

as bocas se procuram no escuro de um túnel
incomunicado
as bocas desviam de si e do céu
saída sem contato com a entrada

as bocas de um túnel não encostam
imersas no véu
bre, que palavra nenhuma toca
esperam a língua do trem

as bocas tateiam
recobradas luminárias, a luz no fim
em que começo de beijo e
carícia e conversa reatada

as bocas que um túnel recém dá à luz
e um brisa - como um grito - que atravessa
as bocas-de-lobo do esgoto
e uma brisa - como um susto que atravessa - como um rosto -

(ruído ao fundo de trem de carga passando ao largo
ruído mal formado de voz descarrilando)

espelho paralisado monólogo
das bocas que se procuram
percorridos por nenhum trilho

Um comentário:

Felipe A. Carriço disse...

As duas pontas de um túnel...

Esse beijo jamais acontecerá.