sábado, 6 de fevereiro de 2010

o mundo codificado

quando o horizonte começa a mudar de cor
o vento perturba os sacos de lixo os mendigos as árvores
rabisco infiltrações na parede
jorro versos que corroem o que me delimita
o sorriso o olhar que me contigencia e define
por inércia escrevo você
o que nos separou já doeu
um céu que não é mais meu
que não mais persigo
vomita estrelas engole lâmpadas
que escurecem meus erros contigo
esclarecem: anestesia é negligência
estou debruçado numa janela
olha espreita esperando
uma resposta que una
todos os medos em um
todos os medos em mim
jurando ser mais eficaz que o resto em fazê-los desaparecer
não te troquei por nada
desejo runs high na contra-mão das vontades
não te troquei por algo
na verdade, substituí a mim.

quando o horizonte começar
terei partido
o meu fim é por aqui

Um comentário:

Eloisa disse...

lâmpadas
que escurecem meus erros

Elas não servem para iluminar? Aí que me refiro quando digo que sou obrigada a te reler.