sábado, 10 de abril de 2010

it feels like Cryptozoids
Ginsberg


devo a cada segundo
não perguntei à esposa de poeta
numa cadeira de balanço num jardim
num sonho feito o ginsberg
mas vi

algo por ali
se movendo longe o suficiente
sem ser miragem sem ser sombra
mesmo sem distinguir a silhueta sei
é uma pessoa
as feições borradas pelo cansaço
pelo caminho

devo a cada segundo
devo saber
por reter
o eco dela andar na rua
mas mais vazia
do que nas outras vezes

entra numa loja
me detém e nunca aprendo seus olhos
a fumaça como um sinal do cigarro
um sinal de continuar
chove não estou seguindo
sabe aonde vou
mas mais vacila do que as outras vozes

acompanha meus passos antes de mim
pára para me dar tempo

devo estar enganado
porque devo
muito a cada segundo

Um comentário:

Eloisa disse...

Os segundos borram nossas imagens até que elas se tornem vultos ou imaginação?! Devo a cada segundo. Devo muito a cada segundo. Seu adjetivo preferido: Genial.