segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Quilômetros à frente

Quando ele disse pra ela o amor é iconoclasta
Ela riu
Quando ele disse pra ela é assim o que sinto
Ela sorriu retorquiu
Você não sabe o que diz
Sei
Desde aquele olhar e desde aquele sorriso...
Ela corta a frase ao meio
E posso ver que você varia bem pouco os temas também
Teve por resposta a calma (enternecida?) frase
Ambos são a metonímia do que me move
E por conseguinte do que escrevo
Você pensa o mundo só em termos de figuras de linguagem
Metáfora no caso
Ou seria catacrese?
E você só pensa o mundo em termos de egolatria
É claro por que será que você ainda está por aqui?
Incrível isso mas sabia que os strokes nem sempre estavam certos?
Ao ver a tristeza (fingida?) dele ela complementa
Deu pra ver que eu não falei sério né?
Ironia não é bem o seu melhor
Sorri zombeteiro
Mais uma figura e eu vou embora
E o tal verso do tal poeta famoso na minha mão
Vai ficar inacabado
E o que eu tive a te dizer foi sério um dia
Até que dia?
Até você por tudo a perder com tentativas de evasão e dispersão
Não é o amor que é iconoclasta é o jeito
Como o levamos a cabo
Incredulidade o pasma
Triunfo a eletrocuta
Levamos? Você usou mesmo a primeira do plural
Ou foi silepse de número?
Ela sorriu calada a isso
Mas com barulhos de riso
O que sempre confunde bastante os dois

3 comentários:

* L. disse...

Bom demais, adorei, prosa e poesia misturadas dum jeito muito, hmm... misturadas, enfim. Hehe. Adoro esse formato, mas é melhor quando é pertinente e aqui ficou ótimo. Não saquei muito a do amor/o modo como o levamos ser iconoclasta, mas a menina só riu, então eu suponho que não haja muito o que entender nisso.

Hugo Crema disse...

Ser iconoclasta aí tem a ver com quebrar convenções. Ele se refere a como amar de um modo geral é um jeito de transgredir, quebrar essas convenções (hallo, shakespeare); enquanto ela se refere a como o amor que eles/ela leva(m) a cabo quebra as convenções do que é amar, amam de uma forma diferente da paradigmática transgressora. Entendeu?

* L. disse...

Sim, brigadinha