sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Poema sobre o ano-novo

Para o meu patinho

As lágrimas de fogo que escorrem do céu são pífias
se comparadas às multidões de gritos
e sorrisos e sons

a noite é uma língua que leva a todos os lugares
mal-iluminada serpenteia jurando
no ano que vai nascer
um dia que é promessa se erige em concreto ali
promessa intermitente como um farol
num horizonte de todas as cores

cada sofá e banco de carro é um pedido de desculpas
cada camisa branca veste um atestado
em cada taça de qualquer coisa flutua a garantia
de que ali as garantias estão suspensas
e a brisa à beira do lago é um sussurro respondido com um sorriso

os violões rasgam as roupas da neblina
com seus dedos inábeis sob o olhar atento
de um deus menos presente
menos antediluviano

cobertos pelo lençol da chuva frágil insistente

viver é esperar a próxima espera
mas nessa noite ninguém pensa nisso
dentro da espera, faz-se
e não importa como vai voltar

3 comentários:

vvpclima disse...

fooooda :~~

Jubilu disse...

fantástico. eu participei desse ano novo, não poderia estar mais feliz :)

* L. disse...

"meu" Patinho? WTF. hahaha